Problema da violência

Atualmente, uma das preocupações centrais das pessoas, instituições e países, refere-se ao problema da violência. As dramáticas cifras mostram não só o número alarmante de homicídios, suicídios e conflitos armados, como também refletem outros tipos de violência como maus-tratos físicos, sexuais e psicológicos, que não levam à morte, mas causam sérios danos à saúde e ao bem-estar de milhões de pessoas. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002) a violência se converteu num dos principais problemas de saúde pública em todo o mundo.

O fenômeno da violência é altamente complexo e multifacetado. Definir de maneira clara as diferentes formas de violência, bem como os fatores de risco e suas conseqüências configura-se como um dos principais desafios das sociedades atuais. O paradigma de responder a violência com mais violência começa a perder o sentido a partir da constatação de que as raízes da violência não são somente raízes objetivas (pobreza, exclusão, injustiça e corrupção) mas também raízes subjetivas (ódios, rancores e desejos de vingança acumulados).

Os estudos mostram que o maior número de violência ocorre dentro das relações interpessoais e dentre as inúmeras causas destacam-se principalmente: a falta de controle das emoções, a impossibilidade de negociar conflitos e a inexistência de mediadores. Estranhamente isso é ignorado. Fortalece-se então, a idéia de que é necessário atender não só às necessidades externas de prevenção da violência, como torna-se fundamental dar uma resposta eficaz para as necessidades internas dos indivíduos no que se refere a processar construtivamente as raivas, os rancores e os desejos de vingança neles gerados.

Nesta perspectiva, se insere a proposta das Escolas de Perdão e Reconciliação – ESPERE - criadas em 2000 pelo Padre Leonel Narvaez, a partir de sua experiência no acompanhamento de tribos africanas nômades em conflito, bem como na área rural da Colômbia em processos de negociação com guerrilheiros.

Pe. Leoenel Narvaez é sociólogo, doutor pela Universidade de Cambridge, Diretor da Fundación para la Reconciliacón em Bogotá, assessor da Prefeitura e membro do Comitê temático de negociação com os guerrilheiros das FARC.

No Brasil teve-se conhecimento deste trabalho em 2001, desde então, desenvolve-se através da formação de multiplicadores no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Juiz de Fora e Santo amaro, estando localizada na Vice-reitoria Comunitária da PUC-Rio a coordenação nacional deste projeto.