ELEMENTOS BÁSICOS DA
TEORIA DO PERDÃO E DA RECONCILIAÇÃO
Por Pe. Leonel
Narváez Gómez, imc
10 de Abril de
2006
PRÓLOGO
A
Fundação para a Reconciliação desenvolve seus projetos de intervenção social e
investigação na Colômbia, contribuindo assim com os esforços que cidadãos e
cidadãs realizam para o advento da paz no mundo. Hoje a Colômbia partilha com a
República irmã do Brasil planos metodológicos e linhas de investigação, e
avança-se na organização de uma rede latino-americana de informação e
cooperação no campo do Perdão e da Reconciliação interpessoal, comunitário e
social.
Em
Bogotá (Colômbia), populariza-se uma experiência de Perdão e Reconciliação
interpessoal denominada ESPERE (Escolas de Perdão e Reconciliação), como uma
contribuição importante em favor da construção da Paz na Colômbia. A violência
social e a violência armada semearam raivas e rancores na vida dos colombianos,
rancores que devem ser compreendidos e tratados pelos diferentes conhecimentos
que procuram imaginar mundos possíveis de amizade e solidariedade, de justiça e
paz, mundos em que a vida cotidiana possa ser vivida sem duelos.
A
novidade da Fundação para a Reconciliação consiste na introdução de um método
de trabalho referente ao Perdão e à Reconciliação interpessoal, que reforça
poderosamente os planos de mediação, arbitragem e conciliação, trabalhando de
forma direta ódios, rancores e desejos de vingança que, quando não tratados,
chegam a converter-se em sementes de novos e mais graves conflitos.
Os
instrumentos teóricos e metodológicos da ESPERE provêm dos trabalhos de
aplicação e investigação das escolas de Wisconsin e Harvard, além de alguns
outros desenvolvidos na América Latina e Europa.
Os
cursos, assessorias e oficinas oferecidos pela Fundação para a Reconciliação
visam fortalecer as estratégias de convivência, segurança pública e cultura
cidadã, gerenciando massa crítica de investigadores e agentes de políticas
públicas governamentais e não governamentais no campo da família, da empresa,
da educação, da comunidade, e também as populações mais vulneráveis.
Queremos,
desta maneira, acompanhar o esforço constante de homens e mulheres na construção
do edifício da vida e da paz.
INTRODUÇÃO
Em
1945, quando a Segunda Guerra Mundial mal havia acabado, Albert Einstein
afirmava em Nova Iorque: “Ganhamos a guerra, mas não a paz!” Foi necessário,
infelizmente, que ocorressem os cruéis acontecimentos de 11 de setembro de 2001
e a recente guerra do Iraque, para nos lembrarmos novamente da famosa expressão
do ex-presidente Clinton: “Não podemos continuar ignorando os ódios acumulados”
de milhões de pessoas e de muitos países do mundo. Com a crescente corrida
armamentista e o dispendioso avanço militar de muitas nações, com os Estados
Unidos à frente, possivelmente ganharemos mais algumas guerras, mas, ao mesmo
tempo, perderemos a oportunidade que a história nos oferece de conquistar muita
paz. As raivas, os ódios, os desejos de vingança serão incrementados; e, por
isso, haverá uma escalada de violências de todo tipo. Perante este conflito
dramático que se vive em muitas cidades e países do mundo, somos chamados a
fazer a escolha entre uma torpe opção armada e uma sábia opção alternativa
favorável à paz. A mobilização da raiva e a economia do ódio nunca foram
estratégias nem economias vantajosas (1).
Os
conflitos e a violência não se solucionam com mais violência, ou com ações
militares e policiais apenas. Podem ser soluções temporárias úteis, mas não
podem ser as únicas opções. Custa aceitar este fato: as guerras nascem no
coração das pessoas e dos povos; e é ali, nesse mesmo coração, que é preciso
encontrar as soluções.
No
século que acaba de findar, mais de 200 milhões de pessoas, em grande maioria
cidadãos indefesos, foram massacradas nas guerras, revoluções e conflitos
políticos, religiosos e étnicos, sem falar das vítimas da delinqüência comum,
sempre mais numerosas (2). A violência torna-se um acontecimento ordinário não
só nos campos de guerra, mas também nas ruas da cidade e no seio das nossas
comunidades. Apesar das conquistas mais impressionantes da ciência e da
tecnologia, apesar dos avanços policiais e militares, a humanidade não pôde encontrar
ainda um remédio efetivo contra a violência, o ódio e a vingança, que rondam
por toda a parte. Qual a causa de tal tragédia? Por que a violência parece
crescer em quantidade e intensidade?
Não
há futuro sem Perdão e sem Reconciliação. Esta frase de Nélson Mandela, tornada
célebre por Desmond Tutu, resume oportunamente a mensagem desta reflexão. Não
basta resolver militarmente, ou negociar os conflitos. A paz ainda continua
frágil e quebradiça, inclusive com as mais efetivas ações policiais, ou com os
melhores acordos oficiais. A paz é algo bem maior que o silenciar dos fuzis,
que uma negociação de interesses e vantagens. A paz é curar o coração das
pessoas e dos povos. Paz é conseguir que as vítimas e os agressores se perdoem
e se reconciliem, de sorte que ambos possam construir o projeto de vida que
tanto desejam, recuperando estes três pilares fundamentais da existência: o
significado da vida, a segurança, a solidariedade social.
Infelizmente,
durante séculos, o Perdão e a Reconciliação (P&R) (3) foram temas relegados
ao mero espaço da religião, da teologia e da ética pessoal. Assim, a humanidade
privou-se de um poderoso instrumento psicoterapêutico, social, político e
espiritual para obter paz estável e sustentável. Nestes últimos anos, por sorte,
o P&R foram ganhando espaço na política, na diplomacia e, finalmente, nos
cenários onde se constrói democracia, segurança e convivência.
É
importante notar: ainda que se trate aqui de Perdão e Reconciliação como meios
efetivos para curar os ódios e desejos de vingança, não queremos de forma
alguma esquecer que o cultivo da paz e a prevenção da violência exigem outro
ingrediente essencial: a justiça social. Ainda que, mais adiante, venha a falar
de justiça restaurativa para os agressores, quero dizer, desde já, que esta
justiça diz respeito também à urgência que temos de encontrar oportunidades de
progresso em favor dos pobres e despojados que vivem no mundo. A segurança, a
convivência e a paz não serão possíveis sem o progresso dos mais pobres. Há alguns
meses, a revista The Economist trazia o seguinte título: Does inequality
matter? (Importa a desigualdade?). A destruição das Torres Gêmeas, a crescente
guerra interna no Iraque e a onda de terrorismo que assola muitos países, nos
dão esta pouco desejada resposta: a elite política do mundo deverá dar uma
solução séria ao problema da pobreza sistemática de muitos povos, se quiser
resolver o problema da globalização da violência e do terrorismo no mundo. É
verdade que a falta de desenvolvimento impede que se supere a violência, mas é
claro também que a violência obstaculiza o desenvolvimento. Para os que crêem
que o capital social precede o capital econômico, a solução da violência deve,
possivelmente, converter-se em prioridade e preferência. A pobreza é tão grave
quanto a raiva de ser pobre. E enquanto conhecemos a solução para a pobreza,
não conhecemos tão bem a solução para as raivas e para os desejos de vingança
que a raiva engendra.
A
finalidade desta reflexão é apresentar alguns argumentos que ajudem a validar e
recuperar a prática do Perdão e da Reconciliação como elementos indispensáveis
na construção do desenvolvimento integral dos povos. Começarei por me referir a
alguns elementos teóricos do Perdão e da Reconciliação para, em seguida,
apresentar brevemente alguns princípios práticos de uma experiência que avança
com êxito na Colômbia e no Brasil: as Escolas de Perdão e Reconciliação
(ESPERE) (4). Esta proposta de Perdão e Reconciliação dá prioridade às vítimas
antes que aos agressores. A razão é simples: são as vítimas que têm o direito e
o poder de perdoar (5). Por outro lado, enquanto se fortaleceu a tendência em
gastar enormes somas de dinheiro para eliminar violentamente os agressores e
bandidos, continua-se a desconhecer o drama e as necessidades das vítimas. As
estatísticas mostram com clareza que bom número de agressores acabaram
tornando-se vítimas, por não conseguirem elaborar suas raivas e rancores.
CONCEITOS
BÁSICOS DE VIOLÊNCIA E DE PAZ
Ao
longo dos séculos, muitos autores escreveram sobre guerra, psicologia da
agressão, violência e suas conseqüências psicológicas e sociais. Um bom número
de autores se concentrou no trauma produzido pela violência. Bem poucos se
preocuparam do tema do Perdão e da Reconciliação, como alternativa eficaz para
se obter uma paz estável (6). Consideremos rapidamente alguns pensadores que
nos podem ajudar a identificar alguns conceitos básicos a este respeito.
“Arma
virumque cano” (Canto as armas e o varões...) são as primeiras palavras com que
Virgílio, há séculos, começou sua famosa obra – a Eneida. A cultura de guerra,
fortalecida por paradigmas da cultura patriarcal, prevaleceu ao longo dos
séculos. Esta mentalidade violenta se expressa ainda hoje furtivamente nos
elencos da masculinidade que a sociedade atual criou: executivos de negócios,
executivos políticos e chefes militares.
Freud
em sua famosa obra Mais além do princípio do prazer (1920) e Konrad Lorenz em
Acerca da agressão (1961) (7), afirmam que a violência é inata em todos nós.
Lorenz afirma que a violência é causada por aqueles “instintos inatos
programados”, que Freud os resumiu em Eros e Tanathos como forças principais
psicodinâmicas sempre em luta para controle do Ego. Como meio de controle da
violência, Lorenz propõe o conhecimento da evolução, a criação de amizades
genuínas, o controle do crescimento da população e a prática de exercícios
atléticos. Freud, pelo contrário, sublinhou a importância do crescimento
individual e a reflexão.
Darwin,
por outro lado, falou da violência como resultado da luta das espécies; e Marx,
em sua filosofia dialética, pregou que a violência era resultado da luta de
classes, a “parteira” da história. Para Darwin fazia-se necessário um ajuste
genético nas espécies; para Marx, a melhor solução era o governo do povo.
Outros,
como Dollar e Skinner (8), sustentaram que a violência se aprende na sociedade;
e, por isso, sugeriram soluções como estas: controle da violência na TV,
isolamento das pessoas violentas, premiação social para os heróis não
violentos.
Wranghan
e Peterson (9) olham em outra direção: valendo-se de uma vasta experiência com
próceres da África, concluíram que a mentalidade violenta dos homens prevaleceu
sobre a ternura e o cuidado das mulheres, simplesmente por este motivo: através
da seleção sexual, os próceres desenvolveram uma busca insaciável de poder,
obtido somente através da agressão. Por estranho que seja, alguns chimpanzés
fêmeas (entre eles os Bonobos do Congo) conseguiram, segundo estes autores,
dominar o instinto do poder e desenvolveram um estilo de vida muito mais
cooperativo e pacífico. Poder-se-ia então concluir desta forma: para frear a
violência e agressão, seria suficiente potenciar os valores femininos. Por
culpa destes homens diabólicos, a humanidade está condenada a viver em conflito
e sofrimento!
Em
tempos mais recentes, alguns biólogos reivindicaram novamente o determinismo
genético, insistindo que o cérebro humano (através do sistema límbico) já vem
programado para a agressão violenta, que estoura de acordo com os níveis de
testosterona (10).
Estas
teorias deterministas têm fortes opositores. Em 1986, vinte científicos de
renome produziram o tão conhecido documento de Sevilha sobre a violência, no
qual garantem que não há instintos agressivos ou instintos de violência (11). É
através do sistema de prêmio-castigo, aplicado pelo ambiente social atual, que
se aprende a agressão (12).
Uma
das teorias mais aceitas (13) parece ser a que combina constituição com
construção. Rousseau, por exemplo, pensou que seu pacífico nobre selvagem
tornou-se selvagem em contato com a civilização. Para Young, May e outros, a
violência é, por sua vez, parte da condição humana, mas sendo também criada e
controlada pela cultura. A violência ocorre quando a pessoa se sente esmagada
por sentimentos de impotência, já que suas necessidades básicas de auto-estima,
identidade e reconhecimento lhe foram negadas. A violência e a agressão
normalmente se expressam através de reações físicas, quando a expressão de
outras formas de poder interno foram negadas (o poder ser, o poder de
auto-afirmação) (14).
Estas
idéias já haviam sido desenvolvidas primeiro por John Burton e depois por
Herbert Kelman, os autores do atual método das Necessidades Humanas, como
método para solucionar os conflitos (15).
Se
o coração da ética e da política é a reconstrução da dignidade humana e de suas
relações, então P&R são um meio efetivo para tal fim. Um ser social é um
ser que perdoa – insistia Thomas Moore (16). “É raro que um pensador político
importante considere o perdão como um servo essencial da justiça, ou como um
elemento indispensável na formação inicial de associações políticas” (17).
Esquece-se
com freqüência que a paz é algo que se aprende, que exige exercício, disciplina
e esforço. Não é algo que se impõe com a força militar ou policial. Galtung
desenvolveu o esquema dos três conceitos principais de paz: peace-keeping
(manter a paz), peace-making (fazer a paz), peace-building (construir a paz)
(18). Peace-keeping e peace-making são estratégias a curto prazo, que quase
sempre implicam intervenção armada, enquanto que peace-building é uma
estratégia de longo prazo na qual Galtung enfatiza o valor do P&R como
importante método para resolver a violência.
Infelizmente,
em quase todos os processos de paz este método é pouco considerado e ainda
agora não chega a ser uma prioridade (19). Se a paz é a democracia em sua forma
mais pura, então a democracia se converte em lucro de pactos que só serão
possíveis e estáveis se estiverem alicerçados no exercício do perdão.
RELEVÂNCIA
DO PERDÃO E DA RECONCILIAÇÃO
Uma
ilustração significativa dos extremos a que pode chegar a violência humana é a
antiga trilogia dramática A Oresteia, do dramaturgo grego Ésquilo (20), onde os
deuses e os cidadãos se reúnem para decidir se há outro modo de responder ao
crime sem que seja com outro crime. Eles concordam que a vingança, ainda que
deva estar sujeita à lei, deve também ter em conta a humanidade dos que a
praticam, dos agressores. Na Oresteia, as Fúrias – divindades defensoras da lei
e da ordem – ironicamente se convertem em Eunímides, isto é, em simpatizantes
da bondade. Para Ésquilo, o perdão pode combinar com retribuição, sempre e
quando esta não se transforme em exercício de uma justiça abstrata, mas seja um
meio para reintegrar o agressor à comunidade. Como se vê, prega-se há séculos
que a justiça punitiva deve ser acompanhada de justiça restaurativa.
Algo
semelhante acontece na História da Guerra do Peloponeso, de Tucídides, onde
procura demonstrar que a vingança é irracional, dizendo que a violência se
alimenta de vingança e a vingança se alimenta de violência. Por isso,
aconselha: é preciso dominar a vingança em tempo, submetendo a lembrança das
ofensas passadas à esperança das bênçãos futuras (21). Recuperar esta sabedoria
é algo de essencial, para poder criar uma nova cultura de paz e para prevenir
futuras violências (22).
Na
tradição cristã primitiva, P&R ocupavam um papel central. Sem dúvida, com a
institucionalização da Igreja, P&R ficaram relegados a uma prática vertical
com Deus somente, perdendo-se assim toda a dimensão horizontal do pecado. Fomos
ensinados a nos reconciliar com Deus, mas nos esquecemos de como reconciliar-nos
com os irmãos e irmãs.
Kagan
sublinha: “O conceito do perdão deve libertar-se do cativeiro religioso para
entrar na fila das virtudes políticas... e do crescimento humano normal” (23).
Perdão e Reconciliação são atualmente temas de fronteira da ética e da
política. Nas relações sociais, nada é tão natural como a vingança; ao mesmo
tempo, porém, nada é tão pouco social e politicamente inadequado. É necessário
que, a partir das realidades das nossas cidades, comecemos a recuperar este
capital social e político da sociedade (24).
O
NÃO-PERDÃO
O
psicólogo clínico Worthington faz uma análise interessante de todas as emoções
que se relacionam com o que ele chama de “não perdoar”: raiva, medo, ódio,
injúria, vingança. “Não perdoar” é uma emoção complexa que inicia com um medo
condicionado e continua com a manipulação cognoscitiva do contínuo pensar sobre
o evento original que produz o medo. A lembrança contínua (o replay
cognoscitivo) produz respostas imediatas nos músculos do rosto, nos músculos do
esqueleto, nas vísceras, hormônios, no sistema nervoso e, finalmente, no fluxo
de sentimentos (25).
O
“não perdoar” – segundo a psicanalista Anna Freud – consiste num mecanismo de
defesa que faz com que a vítima procure o controle, “assumindo a conduta
violenta ou ameaçadora do agressor e transformando-se ele mesmo de ameaçado em
ameaçador”. É uma forma de ganhar autodomínio e dignidade.
Sun
Tzu em seu livro clássico A Arte da Guerra afirma que a injúria nunca é boa
conselheira: “Um governo não deve mobilizar o exército motivado unicamente pela
injúria e os líderes militares não devem provocar a guerra movidos pela ira”
(26). Sun Tzu, como experiente de guerra, tinha profunda consciência dos
efeitos negativos da raiva e do ódio.
Segundo
o psiquiatra Fitzgibbons (27) a injúria anda associada a um alto grau de
tristeza, porque expressa o fracasso dos outros para satisfazer as necessidades
básicas de amor, o apreço e a justiça. Há três mecanismos básicos por meio dos
quais as pessoas podem resistir à raiva: a negação consciente ou inconsciente,
a manifestação agressiva, o perdão.
Em
nossa meninice extemporânea nós nos acostumamos a negar a injúria, o
aborrecimento, o agastamento e, conseqüentemente, armazenamos dentro de nós,
desde pequenos, estes aspectos negativos. O resultado natural da ofensa e do
agastamento é o desejo de vingança. O desejo de vingar-se não diminui enquanto
estes sentimentos não forem aceitos ou afastados. Sem uma decisão consciente de
reconhecimento e abandono, a ofensa e o agastamento permanecem vivos e
acumulados em nosso íntimo, podendo explodir no futuro.
O
psiquiatra Aaron Beek (28) afirma que os pensamentos são responsáveis pelos
sentimentos. Quando as pessoas cultivam pensamentos de raiva e ódio, iguais
serão seus sentimentos e também suas ações. Este cúmulo de pensamentos,
normalmente, segue determinados modelos: homogeneização do outro (todos são
maus), desumanização (estas não são pessoas, mas simplesmente objetos),
demonização (estes inimigos são a encarnação do eixo do Mal).
O PROCESSO
DE PERDÃO E RECONCILIAÇÃO
Os
agressores, normalmente, alguma vez já foram vítimas em sua vida. Para ambos os
casos – vítimas e agressores – o processo de P&R funciona de modo muito
semelhante. Nesta proposta argumenta-se que nas vítimas de violência ficam
traumas ou feridas, que é preciso curar, a fim de que não sangrem e não provoquem
infecção. Para poder realizar esta cura, propõem-se os elementos operativos
mínimos indicados pela psiquiatra Judith Herman: criar ambiente seguro, contar
a história, fazer duelo e reconectar-se (29).
A
grande maioria dos experientes insiste em dizer que o exercício do P&R é
complexo, precisamente porque deveria incluir elementos cognitivos, emocionais,
condutores (físicos) e espirituais.
A
definição de P&R que se adota condiciona o processo. Aqui se adota a
definição de Perdão proposta por Enright, Freedman e Rique (30), que reza
assim: “É a vontade de deixar de lado o direito ao ressentimento, ao juízo
negativo e à conduta indiferente para consigo mesmo ou para com o outro que
injustamente nos ofendeu, e alimentar sentimentos de compaixão e generosidade para
consigo mesmo ou para com o ofensor”.
North
faz notar: “O que se anula com o Perdão não é o crime, mas o efeito distorcedor
da relação com a vítima, de tal sorte que ele não continue a prejudicar-lhe a
auto-estima” (31).
Os
peritos no assunto coincidem, basicamente, na indicação de algumas etapas
mínimas necessárias para chegar ao Perdão. North, Enright e seu Grupo de Estudo
do Desenvolvimento Humano propõem quatro fases, subdivididas em vinte passos.
As fases são: catarse, decisão, ação e resultados (32).
Na
fase preparatória procura-se primeiramente criar um ambiente de segurança ou de
simpatia, porquanto as vítimas da violência, de modo geral, sentem-se presas do
medo. A música, os exercícios de relaxamento, a dança, a ioga e tudo quanto
possa ajudar a controlar a fisioneurose, constituem ajudas importantes.
Na
fase da catarse trata-se de ajudar as vítimas a recobrarem o autocontrole, o
respeito de si mesmo e o sentido de autodomínio. É importante aqui fazer com
que as vítimas tomem consciência do replay cognitivo que recorda constantemente
a ofensa e recicla o veneno causado por ela. É significativo poder dar um nome
à ofensa, pois ele ajuda a recuperar o domínio sobre as coisas. É igualmente
importante que a pessoa possa dar um sentido ao seu sofrimento, recobrando
assim estrutura moral e, ao mesmo tempo, dando um renovado sentido de rumo à
própria vida. Outro ponto de capital importância: fazer memória e contar a
história. É um momento privilegiado de catarse. Não sem razão a cultura
judeu-cristã é a cultura da memória. Peritos, como a psicoterapeuta Ruth
Bersin, aconselham que o exercício de fazer memória seja realizado de forma
mais viva que for possível, pois ajuda a vítima a recuperar o controle sobre
sua própria vida (33).
A
técnica da inundação e o método do testemunho podem ser particularmente úteis.
Os exercícios da sociologia experimental constituem também uma ajuda importante
(34).
A
fase de decisão implica na introdução do conceito de justiça restaurativa em
favor do ofensor. Motiva-se então a vítima a praticar o difícil exercício da
compaixão.
Na
fase da ação, ajuda-se a vítima a romper correntes e a soltar o barco da vida,
para navegar com liberdade e alegria. Durante esta etapa, exerce especial
importância a reconexão intencional com a comunidade e com o grupo. É como que
o compromisso de renovação e vida nova.
A
projeção para o futuro triunfa sobre a escravidão do passado (35). Os
exercícios de projeção de vida podem tornar-se muito úteis, segundo o ambiente
cultural das pessoas. O próprio uso de mantras (como, por exemplo: “Sei que
tenho o poder de dominar-me!”), pode também produzir efeito positivo. A
seqüência e o tempo destas fases depende de cada grupo. A observação constante,
a avaliação, o senso comum são os melhores conselheiros.
A
VERDADE E A JUSTIÇA
Não
há verdadeiro Perdão e Reconciliação se faltarem seus dois elementos
constitutivos: justiça e verdade. A experiência da África do Sul nos ensina
importantes lições acerca do P&R. Antes de tudo, o conhecimento da verdade
é fundamental para que as vítimas possam abrir-se à Reconciliação. Depois, as
vítimas exigem que se lhes faça justiça e se contribua, material ou
simbolicamente, como reparação do mal causado. Perdão e Reconciliação não
significa impunidade; pelo contrário, verdade e justiça são componentes
estruturais do P&R. É por isso que os atos simbólicos de reparação servem
para fazer duelo-luto e para ritualizar um fecho simbólico. Através da
reparação simbólica, as vítimas recuperam um pouco mais de segurança, de identidade
e de sentido de vida normal (36).
A
reparação é um meio formidável para transformar a lembrança negativa da ofensa
e ganhar controle sobre ela. Mais que o valor da reparação, o que por fim conta
é também o rito com que é feita. Com razão, o rito de reparação da Eucaristia
na Igreja Católica continua a ter especial importância. Trata-se de fazer
memória de um crime, mas com uma visão diferente.
A
justiça implica também o conceito de solidariedade e de compaixão. De fato,
para Douglas Stern, a compaixão é a expressão mais direta da sabedoria (37).
Com boas razões, o símbolo da cruz é o centro da fé cristã. A cruz é a
sabedoria da compaixão. Estes são conceitos carregados de uma certa irracionalidade.
É por isso que, contra a irracionalidade da violência, é preciso propor a
irracionalidade do P&R. É o que Pruitt e Rubin chamam de escolha
estratégica (38).
Tanto
na Escritura Hebréia quanto na Cristã, Deus é um Deus de compaixão, lento na
cólera e rico de misericórdia. A história de Caim é um maravilhoso exemplo de
tudo isto. Assim também a história de José, vendido por seus irmãos. José
procura vencer o rancor do passado, não apenas tratando com bondade os seus
irmãos que descem ao Egito para pedir-lhe ajuda, mas também dando ao seu filho
o nome de Manassés, que significa: “Feito para esquecer” (39). No Evangelho de
Lucas encontramos a mesma mensagem: “Sede misericordiosos como o vosso Pai
celestial é misericordioso” (Lc 7,36).
O
Prêmio Nobel de Paz – Elie Wiesel – pede que a compaixão se converta num
elemento importante da humanidade. Sem compaixão não há verdade, por isso não
há paz (40). A atitude evangélica de “apresentar a outra face” rompe com a
lógica da retaliação.
Borris
e Diehl fizeram um significativo resumo do que esta reflexão quis ser: “Se as
pessoas e as organizações não fizerem a passagem de uma mudança psicológica e
cultural, para aprender a perdoar, o ressentimento e ameaça de guerra
continuarão” (41), como oportunamente também sublinhou Hannah Arendt: “Perdoar
é libertar-se da irreversibilidade do passado”. Será preciso então fazer
acordos para cancelar a “imprevisibilidade” do futuro. Assim, estes dois
impostores da humanidade (ressentimento e ameaça de guerra) serão vencidos, e
abrir-se-á o caminho de uma mudança da cultura e da sociedade (42).
Da
mesma forma, a justiça não é apenas retributiva, mas também restaurativa. É
recuperar a dignidade do outro (43), ou, segundo definição de Dickey, é
restaurar toda a sociedade (44). O acento não está no crime em si mesmo, mas no
efeito relacional desvirtuador que tolera. Dickey insiste (e isto aconteceu
antes que os Estados Unidos reagissem violentamente contra o Afeganistão e o
Iraque) em dizer que a sociedade atual se caracteriza mais pela emoção do que
pela reflexão e compaixão. Conseqüentemente, procura fortes emoções que lhe são
proporcionadas pela criminalidade e pelo desafogo dos instintos de vingança e
de castigo. Em contrapartida, o novo paradigma da justiça restaurativa aponta
para a restauração das vítimas. A antiga sabedoria dos salmos, especialmente do
salmo 84, resume maravilhosamente esta teoria: “A verdade e o amor se
encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão” (Sl 84,11).
AS
ESCOLAS DE PERDÃO E RECONCILIAÇÃO (ESPERE)
O
aprendizado do Perdão e Reconciliação é um exercício difícil. Poderíamos ser
tentados a crer que para fazer tal aprendizado temos necessidade de contar com
psicólogos ou especialistas bem preparados, cuja despesa se tornaria impossível
para muitos, especialmente para os mais pobres. Pessoas de um mesmo grupo
humano, reunidas e treinadas para tal fim, podem tornar-se valiosas ajudas na
implementação deste aprendizado. Nas cidades latino-americanas, onde freqüentemente
os pressupostos são mais reduzidos, esta poderia ser uma proposta muito mais
factível. É a experiência que atualmente está sendo levada adiante em algumas
cidades da Colômbia e do Brasil, através das Escolas de Perdão e Reconciliação
(ESPERE). Trata-se de pequenos grupos de pessoas que, sob a direção de
animadores especificamente treinados para tal fim, ajudam os indivíduos a
resolver suas raivas, ódios e rancores, levando-os assim a se abrirem ao Perdão
e à Reconciliação.
Normalmente,
uma das primeiras necessidades das vítimas da violência, para que possam
resolver o problema de sua raiva, é esta: contar com o apoio de um grupo humano
que conheça sua dor e a injustiça que lhes foi infligida (45). O papel dos
grupos é oferecer os elementos básicos indispensáveis para facilitar o processo
de cura, através do Perdão e da Reconciliação. Alguns elementos poderiam ser
estes: a segurança, um ambiente pertinente, um público que reconheça a
injustiça e o sofrimento das pessoas, relações alternativas de poder, um novo
sentido de lei e de ordem, a liderança dos animadores locais. Além disso, nos
grupos, os problemas são colocados e interpretados no seu devido contexto (46).
O
psicólogo clínico Worthington sustenta: “O tratamento baseado na empatia pode
produzir mais perdão que o produzido pelo tratamento do perdão em mero nível
racional. Da mesma forma, o tratamento em nível de grupo tem muito mais efeito
que o perdão tratado em nível de indivíduo” (47). Também Perkins afirma: “A
educação para a paz produz melhor efeito através dos métodos participativos”
(48). Herman, por sua vez, declara que a solidariedade de um grupo provê para a
vítima não só uma proteção mais forte contra o terror e o desespero, mas também
o antídoto contra as experiências traumáticas (49). Os grupos animam os
indivíduos a buscarem ideais mais elevados, ao invés de permanecerem presos aos
seus problemas. Estes mesmos grupos podem ajudar as vítimas a recuperarem a
confiança em suas cosmogonias espirituais, nas instituições e nas pessoas (50).
FORTALEZAS
E FRAQUEZAS
Perdão
e Reconciliação é uma teoria e uma prática que apenas começa a engatinhar,
embora já seja reconhecida por um crescente número de investigadores, peritos
espirituais e religiosos, clínicos e ativistas políticos. Comparativamente, os
estudos de violência, de solução de conflitos, de mediação cresceram muito
mais, embora também eles ainda não consigam satisfazer plenamente, por não
atingirem a verdadeira raiz dos problemas. Da mesma forma, também esta reflexão
pode apresentar lacunas metodológicas, analíticas e conceituais próprias de uma
teoria que mal começa a se desenvolver. De qualquer forma, contém uma genética
de valores incalculáveis.
Em
linguagem popular, estas são consideradas atividades ingênuas. Para muitos, são
atividades impossíveis. Uns aceitariam o perdão coletivo (como no caso da
África do Sul), mas não o perdão individual. Outros, enfim, acham que se trata
apenas de um processo artificial muito frágil, uma simples reflexão que espelha
os desejos dos terapeutas e da tradição cristã (51). Considerados desta forma,
o Perdão e a Reconciliação não passam de uma justiça barata, de uma espiritualidade
puramente idealista.
Por
outro lado, cresce sempre mais o número dos autores que acreditam que o Perdão
e a Reconciliação são instrumentos sociais poderosos, aptos a fazer diminuir o
sofrimento emocional, mental e físico das vítimas. Psiquiatras, psicólogos e
outros que trabalham no campo social começam a se entusiasmar cada vez mais
perante os bons resultados produzidos pelo exercício do Perdão e da
Reconciliação. Fitzgibbons chega a dizer que a descoberta do poder sanador do
P&R pode muito bem ser comparado ao descobrimento das sulfas, da penicilina,
do prozak e do ritalin (52).
CONCLUSÃO
O
Perdão e a Reconciliação são instrumentos poderosos para a construção da
democracia, da convivência e da paz. A realidade da violência do passado e do
presente na Colômbia, bem como de muitas outras partes do mundo, justifica
plenamente que cultivemos este novo modelo de refinada política. Não basta
dispor de capital físico e econômico. Nunca, como agora, foi tão imperiosa a
necessidade de adquirir este novo tipo de capital social. As pessoas e
comunidades que praticam o Perdão e a Reconciliação apresentam níveis de
progresso e desenvolvimento comparavelmente mais elevados das que não os
praticam.
Nas
palavras de Desmond Tutu, “o Perdão é absolutamente necessário para que a
existência humana possa continuar. Sem Perdão e sem Reconciliação a humanidade
não tem futuro”. Nos próximos anos, quando possivelmente serão firmados acordos
de paz com os grupos armados, a Colômbia poderá oferecer ao país a riqueza de
uma prática adquirida com o exercício do Perdão e da Reconciliação. Sem Perdão
e sem Reconciliação não há paz!
Um
dia, o sinal do profeta Isaías tornar-se-á realidade: “O lobo morará com o
cordeiro, o leopardo se deitará com o cabrito. O bezerro, o leãozinho e o gordo
novilho andarão juntos e um menino pequeno os guiará. A vaca e o urso pastarão
juntos, juntas se deitarão as suas crias. O leão comerá capim como o boi. A
criança de peito poderá brincar junto à cova da serpente, a criança pequena
porá a mão na cova da víbora” (Is 11,7-8).
Esta
é, talvez, a imagem mais completa do que significa Perdão e Reconciliação.
Leonel
Narváez Gómez
_____________
NOTAS:
1.
O autor é sacerdote, Missionário da Consolata, sociólogo, M. Phil. da
Universidade de Cambridge, Th. M. da Universidade de Harvard.
2.
Dados impressionantes são oferecidos em BRACKEN PATRICK e CÉLIA PETTY:
Rethinking the trauma of war, London, Free Association Books, 2001, p. 3, 9-20.
3.
Daqui por diante usarei a abreviação P&R em lugar de Perdão e
Reconciliação.
4.
A teoria e o método das Escolas de Perdão e Reconciliação (ESPERE) são o
resultado de 15 meses de conversações semanais com um grupo multidisciplinar de
profissionais (psicólogos, psiquiatras, sociólogos, políticos da ativa,
economistas, entre outros) da Universidade de Harvard, durante o período que
vai de outubro de 1999 a fevereiro de 2001.
5.
Enquanto os Governos podem conceder anistias e indultos, só e unicamente as
vítimas têm o direito ao perdão e à reconciliação.
6.
Cfr. ENRIGHT ROBERT e NORTH JOANNA, Exploring forgiveness, Madison, University
of Wisconsin Press, 1998, p. 3-4. Vários autores atestam que, da época de Santo
Agostinho à década de 1980, só tinham encontrado 170 títulos em inglês
referentes ao tema do perdão interpessoal; em contrapartida, notaram que havia
milhões de textos relacionados ao perdão de Deus.
7.
Cfr. MC FADDEN, THOMAS, Liberation, revolution and freedon, theological
perspectives, Seabury Press, 1975, p. 87-109.
8.
A respeito deste tema, cf. JOHN DOLLARD’S, Frustration and agression (1939), e
B. F. STINNER’S, Beyond freedon and dignity (1971).
9.
WRANGHAN, RICHARD e PATERSON DALE, Demonic males. Apes in the origins of human
violence, New York: Mariner Books, 1996. Verificar especialmente as páginas
231-251. Outros autores importantes são FRANS DE WAAL com seu livro Peacemaking
among primates (1989) e BRIAN FERGUSON que coeditou com NEIL WHITEHEAD o livro
War in the tribal zone: exponding states and indigenous warfore (1992).
10.
Cfr. GREIDER KATHLEEN, Reckoning with aggression, theology, violence and
vitaly, Louisvile, Kentucky, Westminster Press, 1997, p. 25.
11.
Cfr. GREIDER, p. 22 e a nota 34.
12.
Cfr. BERKOWITZ LEONARD, Aggression: a social psychological analysis, New York,
McGraw-Hill, 1962, citado por Greider, p. 124.
13.
Cfr. THOMAS MC FADDEN, Liberation, revolution and freedon, theological
perspectyves, New York, The Seabury Press, 1975, p. 28.
14.
Ibidem, p. 30-31, 44 e 182.
15.
HICKS DONNA, Intractability: Conferência no Seminário PICAR, ent Wheatherhead
Center for international politics, Harvard, Octobre 23, 2001.
16.
MOORE THOMAS, Care of the soul. A guide for cultivatin depth and sacredness in
every day life. New York: Harper Perennial, 1992, p. 155-175.
17.
In SHRIVER DONALD W., An ethic for enemies forgiveness in politics, Oxford,
Oxford University Press, 1995, p. 9.
18.
GALTUNG, J., Three realistic approaches to peace: peace keeping, peace moking
and peacce building. In Langoholtz, op. cit., p. 10.
19.
KIMMEL P. R., Cultural and ethic issues, in Shriver, op. cit., p. 62. Refere-se
ao caso das Forças de Paz das Nações Unidas, presentes em vários países do
mundo, que também apresentam não poucas limitações.
20.
A trilogia dramática é combinada por Eumenides, as Céforas e Oresteia. Dois
irmãos – Thyestes e Atreus – tornam-se inimigos. Thyestes viola a mulher de
Atreus, que se vinga, matando os dois filhos de Thyestes e servindo a carne
deles num banquete em honra de seu pai.
21.
In SHRIVER, p. 19. 22.
22.
CONNEL R. W., Arms and the man, using the new research on masculinity to
understand violence and promote peace in the contemporary world, Paper for
UNESCO Meeting. Oslo, September 1997.
23.
Ibidem, p. 7.
24.
PERKINS EDWARD J., The psycholagy of diplomacy, conflict resolution in a time
of minimal or unusual smallsacele conflicts, in LANGOHOLTZ HARVEY, Ed.
Psychology of peace keeping, Westport, Praeger, 1998, p. 46.
25.
WORTHINGTON L. EVERETT, Ed. Dimensions of forgiveness. Psychological research
and theological perspectives, Philadelphia, Templeton Foundation Press, 1998,
p. 119-123.
26.
SUM TZU, The art of war, London, Oxford University Press, 1963, p. 166.
27.
FITZGIBBON RICHARD, Anger and the healing power of forgiveness, in Enright op.
cit., p. 63-64.
28.
In AARON T. BECK, Prisoner of hate. The cognitive basis of anger, hostility and
violence, New York, Harper Collins, 1999, p. 10-15; 17-18.
29.
JUDITH HERMAN, Trauma and recovery: the aftermath of violence from domestic
abuse to political terror. New York, Basic Books, 1999.
30.
ENRIGHT ROBERT, FREEDMAN SUZANNE, RIQUE JULIO: Interpersonal fogiveness, in
ENRIGHT R. e NORTH J., Exploring forgiveness, Madison, University of Wisconsin
Press, 1998, op. cit., p. 46-47.
31.
NORTH JOANNA, The ideal of forgiveness: a philosopher’s exploration, in Enright
e North, op. cit., p. 17-18.
32.
Ibidem, p. 21.
33.
RUTH BERSIN é uma psicoterapeuta que trabalha em Boston. Referência:
International Conference on Reconciliation, 25-28 de outubro de 2000, at
Andover Newton Theological School.
34.
Alguns exercícios tradicionais são: a cadeira vazia, o taleigo de boxeador
(pugilista), o psicodrama, o diálogo de escritura com as mãos, a pintura, a
dança e outros. Estas atividades são desenvolvidas com êxito em Boston (Estados
Unidos) pela psicoterapeuta Amanda Curtin. Referência: Conferência in PICAR
(Harvard University), 12 March.
35.
BERSIN RUTH, at International Conference on Reconciliation, 25-28 October,
2000, at Andover Newton, Theological School.
36.
Pensamentos de profunda inspiração podem ser encontrados em M. IGNATIEFF, The
Warrior’s Honor: Ethnic war and the Modern Conscience, London: Chatto &
Windus, 1998, p. 169.
37.
STURN DOUGLAS, Solidarity and suffering. Towards a politics of relationship,
New York, State University of New York Press, 1998.
38.
In PRUITT DEAN e RUBIN JEFFREY, Social conflict. Escalation, stalemate and settlement,
New York, MCGraw-Hill, 1986, p. 184-185.
39.
Dt 32, 41-51.
40.
Conversação pessoal com ELIE WIESEL, no dia 10 de abril de 2001, na Boston
University, School of Theology.
41.
BORRIS EILEEN e DIEHL PAUL, Forgiveness, reconciliation and the contribution of
international peace-keeping, in LANGHOLT, op. cit., p. 208.
42.
Citado por SHRIVER, op. cit., p. 34.
43.
Na Guatemala, o Historic Clarificatory Commission, como parte do acordo
assinado em dezembro de 1996, recomendou medidas especiais para promover a
reconciliação e acabar com a impunidade: reforma nos aparatos judiciais e de
segurança, reparação feita às vítimas, implementação de políticas de exumação
para centenas de fossas clandestinas, uma limpeza drástica nas Forças Armadas.
In Human Righta Watch, World Report 2000, p. 130.
44.
DICKEY, Forgiveness and crime, in ENRIGHT, op. cit., p. 107. O profeta Amós
(5,24), faz diferença entre “Mispat” e “Sedaqá”. Mispat é a justiça aplicada
pelo juiz. Sedaqá é a justiça aplicada por uma pessoa justa e implica os
conceitos de misericórdia, compaixão e entendimento.
45.
MARTHA MINOW, Bettween venfeance and forgiveness: facing history after genocide
anda mass violence, Boston: Beacon Press, 1998.
46.
Cfr. CHAMBERS LIZA, Strategie choices in the design of truth commissions:
promoting victim healing Masters Thesis at Kennedy School of Government,
Harvard University, April 29th, 2000, p. 26-27. Chambers cita alguns autores
que sustentam esta tese.
47.
WORTHINGTON EVERETT L., The pyramid model of forgiveness, in Worthington
Everett L., Editor, Dimensions of forgiveness, psychological research and
theological perspectives, Philadelphia, Templeton Foundation, 1998, p. 120-121.
48.
Ibidem, p. 9. PERKINS EDWARD J. The psychology of diplomacy, conflict resolution
in a time of minimal or unusual small scale conflicts, in LANGHOLTZ Harvey Ed.
Psychology o peace keeping, Vestport: Praeger, 1998.
49.
HERMAN, op. cit., p. 207 e p. 214.
50.
HERMAN, op. cit., p. 58.
51.
Ver particularmente: FLANIGAM BEVERLY, Forgivers and the unforgivalle, in
ENRIGHT, op. cit., p. 95-98.